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QUINTA-FEIRA, 11 DE SETEMBRO DE 2008
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A intuição feminina a serviço do mundo cervejeiro |
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Emily Canto Nunes |
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Na edição de setembro, Sady Homrich conversou com a mestre-cervejeira Cilene Saorin |
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A edição de setembro do Extra-malte recebeu a beer sommelier paulista Cilene Saorin, que desbravou espaço em um universo predominantemente masculino e mostrou que características femininas, como a intuição e a sensibilidade, podem ser colocadas a serviço do cervejismo. No bate-papo com Sady Homrich, patrocinado pelo Nacional Supermercados e realizado em parceria pela Cerveja Coruja e o StudioClio, a especialista em análise sensorial falou sobre sua carreira, avaliou as cervejas degustadas e compartilhou um pouco de seu conhecimento cervejeiro com a platéia que lotou o auditório.
Ainda quando cursava a graduação em Engenharia de alimentos, Cilene desenvolveu o gosto pelos processos de fermentação posteriormente canalizados para a produção de cervejas. Durante seu primeiro estágio, na Brahma, começou a enfrentar tentativas de dissuasão da inusitada escolha pelo território cervejeiro. Os funcionários mais antigos (cunhados por ela como de "perfil Segunda Guerra Mundial") preveniam-na de que aquilo não era lugar para mulheres. Mas a moça era persistente. Juntou dinheiro e partiu para a Espanha, onde graduou-se na Universidad Politécnica de Madrid - Escuela Superior de Cerveza y Malta. Uma formação que, segundo ela, é voltada para as cervejas do tipo pilsen – principal produto das empresas que bancam o curso de seus funcionários – e para a produtividade – também atendendo aos interesses do mainstream.
Em mais de 12 anos de experiência industrial, Cilene atuou na área de produção de cervejas, desenvolvimento de fornecedores para cervejarias, pesquisa e desenvolvimento de produtos e como especialista em degustação de cervejas para algumas das maiores companhias cervejeiras do mundo. Trabalhou para Brahma, Petrópolis, Antarctica, AmBev e FlavorActiV (na Inglaterra) e aprendeu: "fazer cerveja é matemática", diz ela. E dá a dica para garantir a repetibilidade: "é só colocar no papel".
O que a beer sommelier mais gosta, no entanto, é de trabalhar com informação sensorial. Professora da disciplina Gestão Sensorial na Indústria Cervejeira na Universidad Politécnica de Madrid - Escuela Superior de Cerveza y Malta, Cilene apontou que o mercado brasileiro pouco se utiliza da informação sensorial para posicionamento de produto: "'desce redondo' talvez seja a única informação sensorial utilizada pelo mainstream no mercado".
No evento do StudioClio, Cilene Saorin preocupou-se em instigar o público a pensar sobre a degustação e frizou que poucos têm o hábito de atentar para o que estão sentindo ao beber uma cerveja, diferentemente do vinho, que tem toda uma cultura estabelecida. O caminho básico, segundo ela, é partir da idéia de que toda cerveja tem algo de amargo, de doce, de ácido e de salgado. Ficou perceptível na fala dela que, depois disso, é tudo uma grande brincadeira.
A primeira degustação da noite foi a Dado Bier American Brown Ale, um possível sétimo rótulo da cervejaria gaúcha, que ainda não foi lançado. A forte presença do lúpulo e o amargor pronunciado foram as características destacadas por Cilene na receita que ajudou a construir via Skype, diretamente de São Paulo. Os participantes ainda degustaram a Falke Bier Ouro Preto (German Dunkel), a Falke Bier Estrada Real (English IPA) e a Colorado Demoiselle (Porter com café). A própria beer sommelier convidada escolheu os queijos que harmonizaram com as cervejas, oferecidos pela delicatessen A Queijaria.
A edição também contou com a participação de Marco Antonio Falcone, proprietário da Falke Bier, de Minas Gerais. Juntamente a Cilene Saorin, ele participa da Minas Bier Fest, de 30 de outubro a 2 de novembro. |
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| Publicado por: Ana Laura Freitas às 00:00 |
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