Na edição do Extra-malte no mês da Oktoberfest, o burgomestre Sady Homrich recebeu o clube de colecionadores cervejeiros Tcherveja ao som de "pandinha alemã", na última segunda-feira, dia 13. Situações inusitadas, curiosidades, obsessões e fetiches emanaram dos depoimentos dos convidados enquanto o público degustava as cervejas especiais harmonizadas com os pratos da baixa gastronomia (ou alta gastronomia de butecos) preparados pela Confraria União Cooks, sob a liderança do gourmet, colecionador e blogueiro Patrick Stephanou.
Guilherme Lopes, presidente do clube de colecionáveis cervejeiros gaúcho Tcherveja, começou a colecionar aos 13 anos, quando, durante o Plano Collor, houve o "boom" das latinhas de cerveja. O pai bebia, ele guardava. Assim começou a obsessão que ganhou grandes proporções. Quando o número de latas superou o espaço de seu próprio quarto, ele tomou o quarto da avó, o maior da casa. Mais tarde, num ímpeto megalomaníaco, comprou uma sala comercial com espaço suficiente para comportar sua coleção: 28m².
Pedro Braga coleciona copos e admite que, quando os donos dos ítens desejados não os cedem por vontade própria, ele se "apropria indevidamente". Ele entrou para o Tcherveja no ano passado, mais interessado no conteúdo das embalagens, e fundou a facção Degusta, que se reúne mensalmente para saborear o líquido tantas vezes disperdiçado pelos confrades.
Sim, porque o colecionismo também pode acarretar o pecado capital do disperdício cervejeiro. Guilherme Lopes conta que o princípio de uma coleção é ter um item de cada país. No momento, a lata mais desejada entre os colecionadores é a da Ilha do Homem, localizada no oeste da Europa, entre a Grã-Bretanha e a Irlanda. Antes dela, foi a vez da lata da ilha Antígua, do Mar do Caribe, que agora tem importador no Brasil e perdeu o valor de mercado. Neste espírito, quando é descoberta uma lata nova em algum país e nenhum membro do clube pode viajar para lá, eles contratam alguém para cumprir a missão. Para valer a viagem, o missionário deve comprar grande quantidade da lata desejada para posterior revenda e, para evitar o excesso de bagagem, acaba tendo que esvaziar as embalagens no banheiro do hotel.
Outro tipo de desperdício pode ser experienciado por colecionadores de garrafas cheias. É o caso de Sady Homrich. Dentro do fetiche de ter a cerveja que marcou época, ele acabou nunca experimentando a Brahma Porter, porque comprou o último exemplar que existia.
O público do Extra-malte, no entanto, que não coleciona garrafa cheia, pôde degustar rótulos especiais: a Dado Bier União Cooks, criada pela microcervejaria porto-alegrense em parceria com a confraria de gourmets do Grêmio Náutico União; a Eisenbahn Oktoberfest, primeira cerveja elaborada especialmente para a Oktoberfest de Blumenau; e a Baden Baden Tripel, sazonal da microcervejaria de Campos do Jordão com singelos 14% de álcool.
A Confraria União Coocks propôs a harmonização zitograstronômica, respectivamente, com os seguintes minipratos: Guacamole original, Bárbaras batatas bávaras e Quibe assado com malte de cevada. |